A não observância do perímetro estabelecido para monitoramento de tornozeleira eletrônica configura mero descumprimento de condição obrigatória que autoriza a aplicação de sanção disciplinar, mas não configura, mesmo em tese, a prática de falta grave. Cingiu-se a discussão a verificar se a conduta do apenado, de estar fora da área de inclusão de rastreamento da tornozeleira eletrônica configura, em tese, possível falta disciplinar de natureza grave – apta à instauração de sindicância administrativa. Inicialmente, cabe destacar que resta incontroverso na doutrina e na jurisprudência que é taxativo o rol do artigo 50 da Lei de Execuções Penais, que prevê as condutas que configuram falta grave. No caso em apreço, o apenado foi identificado fora do endereço declarado no período noturno (área de inclusão), descumprindo assim uma das condições impostas na decisão que lhe concedera saída temporária. Todavia, tal conduta não está prevista no rol supracitado – o que veda o seu reconhecimento, mesmo em tese, como falta disciplinar de natureza grave, sob pena de ofensa ao princípio da legalidade. Trata-se, sim, de descumprimento de condição obrigatória que autoriza sanção disciplinar diversa, podendo ser aplicada, a critério do juiz da execução, a regressão do regime, a revogação da saída temporária, da prisão domiciliar ou a advertência por escrito, nos termos do artigo 146-C, parágrafo único da Lei de Execuções Penais, incluído pela Lei n. 12.258, de 2010, bem como a revogação do próprio benefício de monitoração, por descumprimento do disposto no art. 146-D do referido diploma legal. Importante ressaltar que esta Corte vem admitindo a ocorrência de falta grave nas hipóteses em que o condenado rompe a tornozeleira eletrônica ou mantém a bateria sem carga suficiente para o uso normal. Ocorre, contudo, que em casos tais, o apenado deixa de manter o aparelho em funcionamento, restando impossível o seu monitoramento eletrônico, o que até poderia equivaler, em última análise, à própria fuga, diversamente do que ocorre no presente caso, em que há mera inobservância do perímetro de inclusão declarado para o período noturno, que foi detectado pelo próprio rastreamento do sistema de GPS, mantendo-se assim o condenado sob normal vigilância. REsp 1.519.802-SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, por unanimidade, julgado em 10/11/2016, DJe 24/11/2016.
Tá Difícil? Quer por assunto?! 💡INFORMATIVOS STJ, POR ASSUNTO. Os informativos são divididos de forma a sistematizar os assuntos tratados na Constituição Federal, leis e doutrinas. Por: Karla Viviane Ribeiro Marques e Allan dos Anjos Moura Marques. *Observar atualizações no site do STJ
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15/02/2017
04/10/2016
DIREITO PROCESSUAL PENAL. FALTA GRAVE HOMOLOGADA APÓS PUBLICAÇÃO DO DECRETO QUE PREVIU COMUTAÇÃO DE PENAS.
O benefício da comutação de
penas previsto no Decreto n. 8.172/2013 deve ser negado quando o
apenado tiver praticado falta disciplinar de natureza grave nos doze
meses anteriores à publicação do Decreto, mesmo que a respectiva
decisão homologatória tenha sido proferida posteriormente.
Inicialmente, no julgamento do REsp 1.364.192-RS (DJe
17/9/2014), em regime repetitivo, a Terceira Seção definiu que "não
é interrompido automaticamente o prazo pela falta grave no que diz
respeito à comutação de pena ou indulto, mas a sua concessão deverá
observar o cumprimento dos requisitos previstos no Decreto
Presidencial pelo qual foram instituídos". O Decreto n. 8.172/2013,
que tratou da matéria de concessão de indulto natalino e comutação
de penas, assim dispôs: "Art. 5º A declaração do indulto e da
comutação de penas previstos neste Decreto fica condicionada à
inexistência de aplicação de sanção, reconhecida pelo juízo
competente, em audiência de justificação, garantido o direito ao
contraditório e à ampla defesa, por falta disciplinar de natureza
grave, prevista na Lei de Execução Penal, cometida nos doze meses de
cumprimento da pena, contados retroativamente à data de publicação
deste Decreto." A Quinta Turma, interpretando de forma literal o
artigo, firmou-se no sentido de que o prazo de 12 (doze) meses
limita tão somente a expressão "por falta disciplinar grave" e não
todo o artigo, uma vez que a homologação não fica condicionada ao
mencionado tempo. Em outras palavras, somente a falta grave está
condicionada a lapso anterior ao Decreto, mas o processo
administrativo para apuração e a homologação da falta podem ocorrer
após à publicação do Decreto (AgRg no REsp 1.478.459-RS, Quinta
Turma, DJe 25/2/2015; AgRg no REsp 1.593.381-MG, Quinta Turma, DJe
24/8/2016; HC 317.211-MG, Quinta Turma, DJe 30/5/2016; HC
350.021-SP, Quinta Turma, DJe 28/4/2016). A manutenção do
entendimento adotado pacificamente pela Quinta Turma harmoniza-se
com a orientação de ser de natureza declaratória a decisão proferida
pelo Juízo da execução, seja deferindo progressão seja determinando
regressão por faltas graves (STF, HC 115.254-SP, Segunda Turma, DJe
26/2/2016). EREsp 1.549.544-RS, Rel. Min. Felix
Fischer, julgado em 14/9/2016, DJe 30/9/2016.
15/10/2015
DIREITO PENAL. PERDA DOS DIAS EM RAZÃO DE COMETIMENTO DE FALTA GRAVE.
Reconhecida falta grave, a perda de até 1/3 do tempo remido (art. 127 da LEP) pode alcançar dias de trabalho anteriores à infração disciplinar e que ainda não tenham sido declarados pelo juízo da execução no cômputo da remição. A remição na execução da pena constitui benefício submetido à cláusula rebus sic stantibus. Assim, o condenado possui apenas a expectativa do direito de abater os dias trabalhados do restante da pena a cumprir, desde que não venha a ser punido com falta grave. Nesse sentido, quanto aos dias de trabalho a serem considerados na compensação, se, por um lado, é certo que a perda dos dias remidos não pode alcançar os dias trabalhados após o cometimento da falta grave, sob pena de criar uma espécie de conta-corrente contra o condenado, desestimulando o trabalho do preso, por outro lado, não se deve deixar de computar os dias trabalhados antes do cometimento da falta grave, ainda que não tenham sido declarados pelo juízo da execução, sob pena de subverter os fins da pena, culminando por premiar a indisciplina carcerária. Precedente citado: HC 286.791-RS, Quinta Turma, DJe 6/6/2014. REsp 1.517.936-RS, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 1º/10/2015, DJe 23/10/2015.
21/08/2015
DIREITO PENAL. RECUSA INJUSTIFICADA DO APENADO AO TRABALHO CONSTITUI FALTA GRAVE.
Constitui falta grave na
execução penal a recusa injustificada do condenado ao exercício de
trabalho interno. O art. 31 da Lei 7.210/1984 (LEP)
determina a obrigatoriedade do trabalho ao apenado condenado à pena
privativa de liberdade, na medida de suas aptidões e capacidades,
sendo sua execução, nos termos do art. 39, V, da referida Lei, um
dever do apenado. O art. 50, VI, da LEP, por sua vez, classifica
como falta grave a inobservância do dever de execução do trabalho.
Ressalte-se, a propósito, que a pena de trabalho forçado, vedada no
art. 5º, XLVIII, "c", da CF, não se confunde com o dever de trabalho
imposto ao apenado, ante o disposto no art. 6º, 3, da Convenção
Americana de Direitos Humanos (Pacto San José da Costa Rica),
segundo o qual os trabalhos ou serviços normalmente exigidos de
pessoa reclusa em cumprimento de sentença ou resolução formal
expedida pela autoridade judiciária competente não constituem
trabalhos forçados ou obrigatórios vedados pela Convenção.
HC 264.989-SP, Rel. Min. Ericson Maranho,
julgado em 4/8/2015, DJe 19/8/2015.
06/04/2015
DIREITO PENAL. PERDA DOS DIAS REMIDOS EM RAZÃO DE COMETIMENTO DE FALTA GRAVE.
A prática de falta grave impõe a decretação da perda de até 1/3 dos dias remidos, devendo a expressão "poderá" contida no art. 127 da Lei 7.210/1984, com a redação que lhe foi conferida pela Lei 12.432/2011, ser interpretada como verdadeiro poder-dever do magistrado, ficando no juízo de discricionariedade do julgador apenas a fração da perda, que terá como limite máximo 1/3 dos dias remidos. Precedentes citados: AgRg no REsp 1.424.583-PR, Sexta Turma, DJe 18/6/2014; e REsp 1.417.326-RS, Sexta Turma, DJe 14/3/2014. AgRg no REsp 1.430.097-PR, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 19/3/2015, DJe 6/4/2015.
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